A situação de
aprendizagem a ser publicada tem por base a atividade desenvolvida na fase
presencial do curso. Após a primeira revisão, a S.A. foi disponibilizada no
fórum de discussão, para receber as intervenções dos professores que compõem
o grupo. Infelizmente, só dois integrantes do grupo participaram da
interlocução. Apesar disso, foi uma experiência bastante produtiva e deveria
ser mais incentivada entre os profissionais da educação.
14.06.2013
Olá Mário! Estava
lendo a S.A e lembrei que tem alunos que tem mais dificuldades e vi que faltou
uma atenção para esse aspecto.
Pensando em um
dos meus alunos do 6º ano, que tem muita dificuldade na leitura e na escrita, a
minha sugestão é que eu pediria para um aluno ler para ele e depois pediria
para ele ao invés de escrever, fazer um texto oral, já que percebi que
esse aluno tem mais facilidade quando se trata de falar ou contar a história,
pois parece que ele formula tudo na mente e vai improvisando.
Outra sugestão é
pedir aos alunos que façam um desfecho diferente do texto, imaginando talvez
que ele não quisesse trocar o avestruz por outro presente. O que poderia ter
acontecido no final? E se ele pedisse outro bicho estranho. Qual seria?
Bom isso são só
sugestões.
15.06
Oi, Marlene Estive refletindo sobre
as questões que pontuou e me detive um pouco na questão de que o aluno “tem
mais facilidade quando se trata de falar ou contar a história, pois parece que
ele formula tudo na mente e vai improvisando”.
(grifo meu)
Uma das formas que nos ajudam a
compreender algumas das questões apontadas, pode ser, por exemplo, um trabalho
desenvolvido pela professora Cláudia Lemos1 em
que ela trata sobre a noção de modelo como resultante de
operações de preenchimento de um arcabouço ou estrutura vazia. Esse é um
texto antigo, mas ainda bastante produtivo para nos ajudar a compreender certos
fenômenos discursivos.
Embora a referência esteja vinculada
à produção escrita, creio que a produção oral pode ser incluída nesse contexto
de discussão, uma vez que essa “formulação” a que você se refere não se dá ao
acaso, mas faz parte da história de leitura do leitor ou escrevente, de onde
ele retira certas formas “pré-construídas” de texto, ou aquilo que ele imagina
ser um texto.
Da mesma forma, uma reflexão a
partir do que nos diz Marcuschi2
sobre os processos de reescrita de textos, ou de retextualização, é bastante
pertinente para perceber esse movimento de (re)elaboração dos textos orais ou
escritos. Nesse sentido, nos esclarece o autor: Atividades de
retextualização são rotinas usuais altamente automatizadas, mas não mecânicas,
que se apresentam como ações aparentemente não-problemáticas, já que lidamos
com elas o tempo todo nas sucessivas reformulações dos mesmos textos numa
intrincada variação de registros, gêneros textuais, níveis linguísticos e
estilos. Toda vez que relatamos o que alguém disse, até mesmo quando produzimos
as supostas citações ipsis verbis, estamos transformando, reformulando,
recriando e modificando uma fala em outra.
Como se vê o que pode parecer apenas
improvisação faz parte do processo de planejamento do texto do falante. Isso
tudo, quero crer, nos ajuda a compreender as nossas próprias intervenções ao
elaborarmos os planos de aula. Inclusive, porque também vamos reelaborando, ou
como prefere Marcuschi, vamos procedendo a inúmeras retextualizações
no momento em que estamos trabalhando com as S.A., pois a relação é dialética.
Revendo o que dizem Dolz e Schneuwly3, em
Gêneros e
progressão em expressão oral e escrita - elementos para reflexões sobre uma
experiência suíça (francófona), uma questão importante salientada pelos
autores no tópico sobre Currículo e
progressão é a da sequenciação dos conteúdos e as operações que o professor
deve fazer para que o aluno desenvolva as habilidades pretendidas ou atinja os
objetivos pretendidos com a Situação de Aprendizagem (SA). Nesse sentido, diria
que é bastante pertinente incluir, atividades que explorem mais a oralidade,
não só no aspecto do recontar, mas também as relacionadas a
identificar/localizar palavras ou expressões e seus efeitos de sentido no
texto, perceber as intenções do autor, expor os fatos em ordem cronológica dos
acontecimentos no texto. Por
intermédio de atividades como essas, podemos tentar compreender muitas coisas
sobre os processos de aquisição da escrita e leitura dos alunos e melhor
orientá-los, assim como para a construção de outras S.A.
Espero ter contribuído um pouco para
compreender algo aparentemente simples, mas que acaba revelando-se como bastante
complexo.
22.06.2013
Oi, Marlene
Vi que esqueci de uma questão no comentário anterior
sobre o desfecho diferente do texto.
Isso já está indicado na sequenciação.
Mas estive pensando sobre outro aspecto que sugeriu, por
exemplo, em relação à troca do animal, por outro também estranho. Ok.
Entretanto fico me perguntando: para quem o animal
é/seria estranho: para o leitor, para o narrador, para o menino? Acredito que a
narrativa é que torna peculiar o animal. Você não acha?
Talvez essa estranheza construída pelo narrador é que tenha motivado o
menino a escolher esse animal em particular como presente. Quanto mais o
narrador tentava dissuadir o menino, pintando o avestruz com as cores (a visão
de mundo) dele (narrador), mais aguçava a curiosidade e desejo do menino.
Penso nesse exercício de escrita como um desafio para o
aluno. Imagine que algum dos alunos explore o aspecto de frustração, mas sem
deixar que o personagem desista, inclusive, indicando os argumentos que o
personagem usaria/usou para conseguir o objeto de desejo. Não seria
interessante?
1. LEMOS, Cláudia T. G. de Coerção e
criatividade na produção do discurso escrito em contexto escolar: algumas
reflexões In: Subsídios à proposta curricular de língua portuguesa para
o 1° e 2° graus; coletâneas de textos. V.1, p. 71-77. São Paulo. CENP/SEESP,
1988.
2. MARCUSCHI, Luiz A. (2000) Da fala para a
escrita: atividades de retextualização. 4ª Ed. São Paulo, Cortez, 2003. p 48.
3.DOLZ,
J. & Schneuwly (1996) Gêneros e progressão em expressão oral e escrita:
Elementos para reflexões sobre uma experiência suíça (francófona). [texto
disponibilizado no curso Melhor Gestão, Melhor Ensino – Formação de Professores
de Língua Portuguesa – 1ª ed. 2013]
Nenhum comentário:
Postar um comentário