segunda-feira, 24 de junho de 2013

Leitura e escrita de crônica narrativa

Situação de Aprendizagem

Esta Situação de Aprendizagem tem como objetivo estimular a leitura e a produção de texto, gênero crônica narrativa. Durante a leitura, o aluno deverá recuperar e pontuar os elementos da narrativa,  bem como as características do gênero crônica narrativa.  Na produção de texto, deverá apropriar-se dos elementos revistos e utilizá-los na prática de escrita da crônica narrativa.

Tempo previsto: 8 aulas

Conteúdos e temas: elementos da narrativa: enredo, personagem, tempo, espaço, foco narrativo; ponto de vista; leitura oral e silenciosa de crônica narrativa; entonação; noções de discurso direto e discurso indireto; verbos de dizer; uso do parágrafo; conceito de denotação e conotação; noções de variedade linguística; noções de coesão e coerência; noções de coesão textual.

Público-alvo: alunos de 6° ano.

Competências e habilidades:   expectativas de leitura sobre tema/assunto; ativação de conhecimentos prévios; confirmação ou retificação das expectativas apresentadas antes ou durante a leitura; localização da ideia principal; apresentação de argumentos para sustentar as hipóteses levantadas e o acolhimento de outras compartilhadas na roda de conversa; inferir o sentido de termos ou expressões em contexto; busca de informações complementares ao tema/assunto tratado; identificação do leitor-virtual a partir das pistas linguísticas; reconhecer as características do gênero crônica narrativa; produzir crônica narrativa.

Estratégias: desenhar um avestruz e seu habitat; roda de conversa; comparação entre a representação apresentada e a do texto original; leitura individual; leitura em duplas; leitura pública do professor; projeção de imagens e/ou vídeo sobre avestruz; produção de crônica narrativa, com base na história lida.

Recursos: lousa; giz; folha de sulfite; lápis de cor; livro didático; data show; vídeo; crônica Avestruz (de Mário Prata).

Avaliação: produção de desenho com base na antecipação de leitura; desenho com base no texto lido; produção oral (roda de conversa); produção escrita de crônica narrativa, de acordo com o tema solicitado.

Sequenciação

1. Antes de apresentar a crônica para leitura, explorar as expectativas do leitor, a partir do título do texto:

    A) Sobre o que poderia tratar um texto cujo título é “Avestruz”? Anote suas impressões em seu caderno.

    B) Você conhece ou já viu um avestruz? Como é esse animal, ou como você o  imagina? Como seria o habitat desse animal? Faça um desenho, em seu caderno, tentando representar esse animal em seu habitat.

2. Após a leitura individual, ou em dupla, do texto, comparem a descrição produzida, em forma de desenho, com a descrição presente no texto. Anotem no caderno as semelhanças e diferenças.

3. Roda de conversa sobre as impressões dos alunos sobre o animal desenhado.

4. Leitura pública do professor.

5. Leitura pública dos alunos (1 parágrafo por aluno, ou outra sugestão dos alunos).

6. Façam um desenho do animal, de acordo com as características presentes no texto, destacando os traços que mais chamaram sua atenção.

7. Produzam um texto escrito em dupla, de acordo com as características do gênero crônica narrativa, já estudadas em aulas anteriores. Para isso, imagine que o personagem tenha ganhado o animal de presente e conviva com ele no apartamento.

8. Revisão e reescrita coletiva de texto.

9. Leitura pública das produções dos alunos em roda de conversa para a troca de impressões sobre essas produções.

10. Confecção de painel com as produções dos alunos, para publicação na escola (mural, jornal).

Considerações para avaliação do texto escrito
Adequação do texto com as características do gênero textual solicitado.
Adequação do texto produzido ao tema/assunto solicitado, isto é, a convivência do personagem com o animal, no apartamento em que mora o personagem.
Caracterização dos aspectos do cotidiano envolvidos e caracterizadores da crônica.
Recursos linguísticos:
 - uso adequado dos discursos direto e indireto;
 - uso adequado dos marcadores de tempo e espaço;
 - uso de elementos coesivos que contribuam com a progressão textual;
 - uso de diferentes níveis de linguagem, de acordo com as situações discursivas;
 - uso adequado de recursos caracterizadores das situações de humor, ironia etc.;
 - uso adequado dos recursos conotativos da linguagem em contexto.
Convenções da escrita: paragrafação, pontuação, acentuação, ortografia.
Marcas de autoria: adequação do título ao tema desenvolvido, instigando a leitura do texto, estilo próprio no modo de retratar a situação desenvolvida ao longo do texto.

Autoavaliação

Textos de apoio:

ABAURRE, Maria Bernadete Marques. (Org.) Cenas de aquisição da escrita: o sujeito e o trabalho com o texto. Campinas, SP, Mercado de Letras, ALB, 1997. (Coleção Leituras no Brasil)

DOLZ, J. & Schneuwly (1996) Gêneros e progressão em expressão oral e escrita: Elementos para reflexões sobre uma experiência suíça (francófona).
[texto disponibilizado no curso Melhor Gestão, Melhor Ensino – Formação de Professores de Língua Portuguesa – 1ª ed. 2013]

LAJOLO, Marisa. Do mundo da leitura para a leitura do mundo. São Paulo, Ática, 1994.

MARCUSCHI, Luiz Antônio. Da fala para a escrita: atividades de retextualização. 4ª ed. São Paulo, Cortez, 2003.

PRATA, Mário. Avestruz. [crônica disponibilizada no curso Melhor Gestão, Melhor Ensino – Formação de Professores de Língua Portuguesa – 1ª ed. 2013]

ROJO, Roxane. Letramento e capacidades de leitura para a cidadania. São Paulo, SEE CENP, 2004. [texto disponibilizado no curso Melhor Gestão, Melhor Ensino – Formação de Professores de Língua Portuguesa – 1ª ed. 2013]

São Paulo (Estado) Secretaria da Educação. Caderno do Professor: língua portuguesa, ensino fundamental – 6° ano (vários volumes).

Escrita colaborativa de textos


A situação de aprendizagem a ser publicada tem por base a atividade desenvolvida na fase presencial do curso. Após a primeira revisão, a S.A. foi disponibilizada no fórum de discussão, para receber as intervenções dos professores que compõem o grupo. Infelizmente, só dois integrantes do grupo participaram da interlocução. Apesar disso, foi uma experiência bastante produtiva e deveria ser mais incentivada entre os profissionais da educação.

14.06.2013
Olá Mário! Estava lendo a S.A e lembrei que tem alunos que tem mais dificuldades e vi que faltou uma atenção para esse aspecto. 
Pensando em um dos meus alunos do 6º ano, que tem muita dificuldade na leitura e na escrita, a minha sugestão é que eu pediria para um aluno ler para ele e depois pediria para ele ao invés de escrever, fazer um texto oral,  já que percebi que esse aluno tem mais facilidade quando se trata de falar ou contar a história, pois parece que ele formula tudo na mente e vai improvisando.
Outra sugestão é pedir aos alunos que façam um desfecho diferente do texto, imaginando talvez que ele não quisesse trocar o avestruz por outro presente. O que poderia ter acontecido no final? E se ele pedisse outro bicho estranho. Qual seria? 
Bom isso são só sugestões.

15.06
Oi, Marlene Estive refletindo sobre as questões que pontuou e me detive um pouco na questão de que o aluno “tem mais facilidade quando se trata de falar ou contar a história, pois parece que ele formula tudo na mente e vai improvisando”. (grifo meu)
Uma das formas que nos ajudam a compreender algumas das questões apontadas, pode ser, por exemplo, um trabalho desenvolvido pela professora Cláudia Lemos1 em que ela trata sobre a noção de modelo como resultante de operações de preenchimento de um arcabouço ou estrutura vazia. Esse é um texto antigo, mas ainda bastante produtivo para nos ajudar a compreender certos fenômenos discursivos.
Embora a referência esteja vinculada à produção escrita, creio que a produção oral pode ser incluída nesse contexto de discussão, uma vez que essa “formulação” a que você se refere não se dá ao acaso, mas faz parte da história de leitura do leitor ou escrevente, de onde ele retira certas formas “pré-construídas” de texto, ou aquilo que ele imagina ser um texto.
Da mesma forma, uma reflexão a partir do que nos diz Marcuschi2 sobre os processos de reescrita de textos, ou de retextualização, é bastante pertinente para perceber esse movimento de (re)elaboração dos textos orais ou escritos. Nesse sentido, nos esclarece o autor: Atividades de retextualização são rotinas usuais altamente automatizadas, mas não mecânicas, que se apresentam como ações aparentemente não-problemáticas, já que lidamos com elas o tempo todo nas sucessivas reformulações dos mesmos textos numa intrincada variação de registros, gêneros textuais, níveis linguísticos e estilos. Toda vez que relatamos o que alguém disse, até mesmo quando produzimos as supostas citações ipsis verbis, estamos transformando, reformulando, recriando e modificando uma fala em outra.
Como se vê o que pode parecer apenas improvisação faz parte do processo de planejamento do texto do falante. Isso tudo, quero crer, nos ajuda a compreender as nossas próprias intervenções ao elaborarmos os planos de aula. Inclusive, porque também vamos reelaborando, ou como prefere Marcuschi, vamos procedendo a inúmeras retextualizações no momento em que estamos trabalhando com as S.A., pois a relação é dialética.
Revendo o que dizem Dolz e Schneuwly3, em Gêneros e progressão em expressão oral e escrita - elementos para reflexões sobre uma experiência suíça (francófona), uma questão importante salientada pelos autores no tópico sobre Currículo e progressão é a da sequenciação dos conteúdos e as operações que o professor deve fazer para que o aluno desenvolva as habilidades pretendidas ou atinja os objetivos pretendidos com a Situação de Aprendizagem (SA). Nesse sentido, diria que é bastante pertinente incluir, atividades que explorem mais a oralidade, não só no aspecto do recontar, mas também as relacionadas a identificar/localizar palavras ou expressões e seus efeitos de sentido no texto, perceber as intenções do autor, expor os fatos em ordem cronológica dos acontecimentos no texto. Por intermédio de atividades como essas, podemos tentar compreender muitas coisas sobre os processos de aquisição da escrita e leitura dos alunos e melhor orientá-los, assim como para a construção de outras S.A.
Espero ter contribuído um pouco para compreender algo aparentemente simples, mas que acaba revelando-se como bastante complexo.

22.06.2013
Oi, Marlene
Vi que esqueci de uma questão no comentário anterior sobre  o desfecho diferente do texto. Isso já está indicado na sequenciação.
Mas estive pensando sobre outro aspecto que sugeriu, por exemplo, em relação à troca do animal, por outro também estranho. Ok.
Entretanto fico me perguntando: para quem o animal é/seria estranho: para o leitor, para o narrador, para o menino? Acredito que a narrativa é que torna peculiar o animal. Você não acha?
Talvez essa estranheza construída pelo narrador é que tenha motivado o menino a escolher esse animal em particular como presente. Quanto mais o narrador tentava dissuadir o menino, pintando o avestruz com as cores (a visão de mundo) dele (narrador), mais aguçava a curiosidade e desejo do menino.
Penso nesse exercício de escrita como um desafio para o aluno. Imagine que algum dos alunos explore o aspecto de frustração, mas sem deixar que o personagem desista, inclusive, indicando os argumentos que o personagem usaria/usou para conseguir o objeto de desejo. Não seria interessante?

1. LEMOS, Cláudia T. G. de Coerção e criatividade na produção do discurso escrito em contexto escolar: algumas reflexões In: Subsídios à proposta curricular de língua portuguesa para o 1° e 2° graus; coletâneas de textos. V.1, p. 71-77. São Paulo. CENP/SEESP, 1988.
2. MARCUSCHI, Luiz A. (2000) Da fala para a escrita: atividades de retextualização. 4ª Ed. São Paulo, Cortez, 2003. p 48.
3.DOLZ, J. & Schneuwly (1996) Gêneros e progressão em expressão oral e escrita: Elementos para reflexões sobre uma experiência suíça (francófona). [texto disponibilizado no curso Melhor Gestão, Melhor Ensino – Formação de Professores de Língua Portuguesa – 1ª ed. 2013]

sábado, 8 de junho de 2013

Leitura de contos na sala de aula

       Em nossos trabalhos com os alunos em sala de aula na semana que passou, eu e o professor Elso, que é professor de apoio na mesma UE em que eu trabalho, fizemos a leitura de dois contos e achei muito interessante posta-los aqui.
     Estamos começando um trabalho de leituras de contos, onde um dos objetivos é fazer com que os alunos tenham ou criem o gosto pela leitura, e também para que a leitura faça parte da vida deles, assim como fez para os professores que fizeram seu depoimento no fórum sobre experiência de leitura e escrita e que estão participando do curso "Melhor Gestão, Melhor Ensino".
      Junto com esse conto, trabalhamos também o conto "A descoberta" de Luís Fernando Veríssimo, e achei que foi e está sendo muito produtivo, pois os alunos estão se interessando e pedindo mais livros para ler.


Meus Amigos


Tenho amigos cuja companhia me é extremamente agradável: são de  todas as idades e vêm de todos os países. Eles se distinguiram tanto nos escritórios quanto nos campos, e obtiveram altas honrarias por seu conhecimento nas ciências. É fácil ter acesso a eles: estão sempre a disposição, e eu os admito em minha companhia, e os despeço, quando bem entendo. Nunca dão problemas, e respondem prontamente a cada pergunta que faço. Alguns me contam histórias de eras passadas , enquanto outros me revelam os segredos da natureza. Alguns pela sua vivacidade, levam embora minhas preocupações e estimulam meu espírito, enquanto outros fortificam minha mente e me ensinam a importante lição de refrear meus desejos e de depender só de mim. Eles abrem, em resumo, as várias avenidas de todas as artes e ciências, e eu confio em suas informações inteiramente, em todas as emergências. Em troca de todos esses serviços, apenas pedem que eu os acomode em algum canto de minha humilde morada, onde possam repousar em paz - pois esses amigos deleitam-se mais com a tranquilidade da solidão do que com os tumultos da sociedade.

O texto acima , de Francesco Petrarca, foi retirado do livro "A Paixão pelos Livros" - Editora Casa da Palavra e organização de Martha Ribas e Júlio Silveira. 

E por falar em experiências leitoras...

          Essas reflexões sobre leitura e escrita, assim como os depoimentos dos colegas de curso, acabaram por desencadear em mim algumas lembranças de momentos prazerosos de experiências leitoras e de textos que me deixaram bastante impressionado. Lembrei-me, por exemplo, de um vertiginoso conto de Julio Cortázar, Continuidade dos parques, que, de certa forma, traduz tanto o desejo do leitor, quanto o desejo do(s) autor(es), isto é, o enredamento do leitor com a trama contida em uma narrativa. Vamos conferir?

Continuidade dos parques
 
        Começara a ler o romance dias antes. Abandonou-o por negócios urgentes, voltou à leitura quando regressava de trem à fazenda; deixava-se interessar lentamente pela trama, pelo desenho dos personagens. Nessa tarde, depois de escrever uma carta a seu procurador e discutir com o capataz uma questão de parceria, voltou ao livro na tranquilidade do escritório que dava para o parque de carvalhos. Recostado em sua poltrona favorita, de costas para a porta que o teria incomodado como uma irritante possibilidade de intromissões, deixou que sua mão esquerda acariciasse, de quando em quando, o veludo verde e se pôs a ler os últimos capítulos. Sua memória retinha sem esforço os nomes e as imagens dos protagonistas; a fantasia novelesca absorveu-o quase em seguida. Gozava do prazer meio perverso de se afastar, linha a linha, daquilo que o rodeava, e sentir ao mesmo tempo que sua cabeça descansava comodamente no veludo do alto respaldo, que os cigarros continuavam ao alcance da mão, que além dos janelões dançava o ar do entardecer sob os carvalhos. Palavra por palavra, absorvido pela trágica desunião dos heróis, deixando-se levar pelas imagens que se formavam e adquiriam cor e movimento, foi testemunha do último encontro na cabana do mato. Primeiro entrava a mulher, receosa; agora chegava o amante, a cara ferida pelo chicotaço de um galho. Ela estancava admiravelmente o sangue com seus beijos, mas ele recusava as carícias, não viera para repetir as cerimônias de uma paixão secreta, protegida por um mundo de folhas secas e caminhos furtivos, o punhal ficava morno junto a seu peito, e debaixo batia a liberdade escondida. Um diálogo envolvente corria pelas páginas como um riacho de serpentes, e sentia-se que tudo estava decidido desde o começo. Mesmo essas carícias que envolviam o corpo do amante, como que desejando retê-lo e dissuadi-lo, desenhavam desagradavelmente a figura de outro corpo que era necessário destruir. Nada fora esquecido: impedimentos, azares, possíveis erros. A partir dessa hora, cada instante tinha seu emprego minuciosamente atribuído. O reexame cruel mal se interrompia para que a mão de um acariciasse a face do outro. Começava a anoitecer.
       Já sem se olhar, ligados firmemente à tarefa que os aguardava, separaram-se na porta da cabana. Ela devia continuar pelo caminho que ia ao Norte. Do caminho oposto, ele se voltou um instante para vê-la correr com o cabelo solto. Correu por sua vez, esquivando-se de árvores e cercas, até distinguir na rósea bruma do crepúsculo a alameda que o levaria a casa. Os cachorros não deviam latir, e não latiram. O capataz não estaria àquela hora, e não estava. Subiu os três degraus do pórtico e entrou. Pelo sangue galopando em seus ouvidos chegavam-lhe as palavras da mulher: primeiro uma sala azul, depois uma varanda, uma escadaria atapetada.
        No alto, duas portas. Ninguém no primeiro quarto, ninguém no segundo. A porta do salão, e então o punhal na mão, a luz dos janelões, o alto respaldo de uma poltrona de veludo verde, a cabeça do homem na poltrona lendo um romance.

 CORTÁZAR, Julio. Continuidade dos parques. Em: Final do jogo. Rio de Janeiro, Expressão e Cultura,1972.

          

       Ano passado, pesquisando anúncios publicitários para trabalhar com meus alunos, encontrei esta imagem no Google. Bastante sugestiva, não?

         O propósito era estimular a criatividade dos alunos em, por exemplo, criar um anúncio publicitário a partir dessa imagem. Mas como esse objeto causou uma curiosidade e discussão bastante animada sobre as possibilidades de interpretação, acabei por fazer uma pausa e transformei esse objeto em conteúdo para discutir a relação entre livro ou texto, leitor e autor. Na época, não me lembrei do texto do Cortázar e trabalhei com outro texto bastante interessante do Luiz Fernando Veríssimo, Criaturas, em que discute a relação entre autor e personagem. Além, é claro, de fazer um belo trabalho de intertextualidade, ao dialogar com Seis personagens a procura de um autor, de Pirandello.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Experiência de leitura


       Minha experiência com a leitura começou no Ensino Médio, quando a professora leu para classe o poema "Ismália de Alphonsus de Guimarães", lembro-me que fiquei arrepiada, gostei muito. Durante o curso ela pediu para ler outros livros como  "Vidas Secas" e "São Bernardo" e enquanto eu lia ficava muito triste com as histórias, me comoviam muito. Li outros livros nessa época, alguns não entendi nada como "Memórias Póstumas de Brás Cubas", outros como quase todos alunos, lia pela metade.
        Os anos se passaram e somente na faculdade fui entender esse livro de Machado de Assis, somente depois que a professora explicou sobre o autor, as ironias que eram feitas aos privilégios da elite daquela época e a partir daí o meu interesse pela leitura foi aumentando, fui me apaixonando e hoje sei o quanto é fundamental  em minha vida, e acredito na importância do olhar atento do professor na hora de indicar uma leitura, pois essa leitura tanto pode aproximar quanto distanciar o aluno de ser um leitor.

Experiências de leitura e escrita

    

Histórias de leituras e escritas tem tudo que ver com reminiscências. E estas nos conduzem invariavelmente a momentos agradáveis, a experiências que, embora distanciadas no tempo, nos ajudam a ver e a compreender de outro modo as mudanças por que passamos. Nos ajudam a refletir sobre o nosso próprio processo criativo, algo que muitas vezes nos escapa, mas que está presente tanto nas práticas de leitura, quanto de escrita. Às vezes tenho até dificuldade em distinguir uma da outra, uma vez que estamos sempre lendo-escrevendo, dialogando o tempo todo com nossos interlocutores, presencias ou à distância, lendo ou escrevendo.
No módulo 1 fomos convidados a ler e ouvir depoimentos de alguns autores, para nos motivar a também escrever sobre nossas próprias experiências. Mas tínhamos que escolher um deles para tecer comentários. A princípio achei difícil escolher um entre tantos depoimentos ricos e interessantes, pois de algum modo todos assinalam traços com os quais, de alguma forma, nos identificamos. Mas acabei por me decidir. por um.
Ao ler o depoimento de Contardo Calligaris (disponível no site da Livraria Cultura), chamou minha atenção o trecho em que diz “...ninguém é capaz de inventar uma vida a partir de nada.” (ou de forma mais poética “A vida é inventada a partir de uma combinatória de sonhos que já foram sonhados.”).
Essa frase chamou minha atenção por vários motivos, especialmente no que diz respeito à literatura, às artes e aos nossos próprios discursos, tão costurados por outros. Afinal, foi por esse viés, a literatura, que iniciei meu curso de letras, motivado por uma redescoberta de algo que desde a infância me dava muito prazer.
Minha madrinha lia para mim e meus primos as histórias de Monteiro Lobato, o que nos incentivava a querer saber mais sobre os heróis que povoavam os “Doze trabalhos de Hércules”, aguçando minha curiosidade por outras aventuras relatadas na “Ilíada”, na “Odisseia”, na “Eneida” entre outras, ativando a sede pela leitura e descobertas. Talvez tenha vindo daí o gosto pela poesia.
Já em relação à escrita propriamente dita, não me recordo de como comecei a gostar de escrever, embora tenha experimentado escrever poesia na adolescência. E, embora isto não seja uma provocação, minha experiência com a leitura e a escrita deu-se mais fora da escola. Eu e meus amigos líamos, discutíamos e comparávamos nossas impressões, tanto em relação aos livros, quanto em relação aos filmes e peças de teatro que assistíamos. Esse foi um hábito que cultivei com meus amigos e que me foi de grande valia na faculdade. Desse tempo, lembro-me com muito carinho da professora Sandra Nitrini da, fflch, que me iniciou com maestria nos estudos de literatura.
Dessa época, também me lembro com satisfação das leituras extra-curso que fazia com os colegas. Lembro-me especialmente de uma amiga, Sandra, e as impressões que trocávamos sobre os textos Guimarães Rosa. Muitas delas, evidentemente, iam parar em nossos trabalhos de faculdade. Era uma loucura! Sim, os trabalhos eram uma loucura e, às vezes, pensávamos que no curso de graduação éramos verdadeiras máquinas de fazer trabalhos. Mas eu gostava particularmente de ler e escrever sobre os livros que lia. Por no papel as ideias, as impressões do que lia, era um desafio constante, o que requeria infindáveis reescritas e anotações à margem dos textos. Experimentar diferentes torneios verbais, para conseguir maior precisão no que escrevia era uma obsessão.
Depois disso, participei, durante o meu mestrado, de um grupo bastante especial de leitura e escrita. Aliás, participar desse grupo era uma das exigências de nosso querido orientador Prof.Dr. Manoel Luiz Gonçalves Corrêa. Sábia exigência! Pois as discussões colaborativas tornavam menos áridas a compreensão das teorias e nos ajudavam a alçar voos mais altos.
Como se vê, minhas lembranças deram um salto da infância para a adolescência e a vida adulta. Mas, embora tenha em branco as lembranças escolares do exercício de leitura e escrita no ensino básico, acredito, com Calligaris,  no poder libertador da literatura, por isso não deixo de ler com meus alunos e exercitar a imaginação em dramatizações a partir dos textos lidos. Falar e também escrever sobre o que se leu é uma estratégia de sensibilização que traz sempre bons frutos e aos poucos vai enfraquecendo as resistências e possibilitando novas descobertas.
Hoje não escrevo quase nada, e talvez por isso tenha ficado emocionado com o depoimento de Clair Feliz Regina (disponível no site Catraca Livre), para quem escrever é sinônimo de vida, não importando o momento de (re)iniciar e ser capaz “de uma lágrima fazer um rio...”.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Aprender a aprender

Antes de darmos continuidade, gostaríamos de fazer uma pausa e convidá-los a assistir ao vídeo a seguir, pois além de suscitar reflexões importantes sobre o processo de ensino e aprendizagem, introduz, de certa forma, o tema da próxima postagem. 
 

Como se vê, a narrativa nele contida chama especial atenção para a construção da aprendizagem, mostrando de forma lúdica o desenvolvimento de diferentes habilidades envolvidas nesse processo, isto é, aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver, aprender a ser.